"sabe, eu acho que não sei fechar ciclos ...colocar pontos finais. comigo são sempre virgulas, aspas, reticências. eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou ... e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos. e vou dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar e sabe, isto tem de acabar."
domingo, 25 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
bicho
Recebemos a tua mensagem e o mundo parecia
estar a ruir-se.
Foi como se tudo fosse desabar, cada casa, cada
árvore, como se tudo fosse cair em cima de nós, como se o vento
tivesse soprado com todas as forças e tudo se tivesse de separar,
incluindo nós porque a força do vento era tal que não tínhamos
forças para lutar contra ele.
E o vento passou por nós e levou tudo, levou
os sorrisos, as lágrimas, a alegria, a tristeza, e pior de tudo,
levou o nosso abrigo, uma das nossas maiores forças, levou-te a ti.
Todas juntas criamos uma rede á tua volta para
que não pudesses sair, mas não a fizemos com a corda certa e a rede
rebentou.
Corremos atrás de ti para te poder agarrar,
para te segurar, para não te deixar ir, mas não corremos o
suficiente, não chegamos a tempo.
Temos de te deixar ir, temos de te libertar,
temos de agarrar a força que nos deste para podermos passar por
isto, sem irmos ao chão, sem que o mundo nos derrube completamente.
Por momentos pensamos: “e se pudéssemos
mudar a tua forma de pensar? Como seria?”, e acabamos por perceber
que aí o conceito de vida não iria ser o mesmo, podíamos fazer com
que continuasses connosco, mas nunca íamos aprender a interpretar
como tu dizes: “os verdadeiros problemas da vida”.
Sentimos uma tristeza enorme, não vais para
outro mundo e já sentimos a tua falta, não nos vais abandonar e
parece que nunca mais nos vamos encontrar, vais sair do clube e
parece que nos estão a arrancar um pedaço de vida muito vivido e
cheio de fortes emoções, vais sair e é como se tudo deixasse de
fazer sentido.
Foste tu que nos fizeste chegar onde chegamos,
foste tu que nos fizeste ver que não há impossíveis, foste tu que
nos guias-te quando parecia não existir um caminho, foste tu que nos
fizeste acreditar, foste tu quem esteve sempre connosco, pois só tu
que estavas bem dentro da equipa percebias as nossas lágrimas, as
nossas inseguranças, o nosso medo tremendo de errar, a nossa
vontade, a nossa garra, os nossos sorrisos, as nossas revoltas, a
nossa dor, os nossos problemas, só tu sabias como lidar com cada uma
de nós.
E graças ao que fizeste por nós até aos dias
de hoje percebemos que para chegarmos onde queremos (no andebol e em
tudo na vida), o que é realmente preciso é vontade, confiança,
trabalho e dedicação.
Ensinaste-nos que o importante não é ganhar,
não é perder, mas procurar evoluir, ensinaste que desistir não é
o caminho e que não deve ser sequer uma opção, porque nós podemos
tentar, tentar, tentar e falhar, mas depois quando o conseguirmos
ninguém vai querer saber das vezes que falhamos. Porque nos
mostraste que o caminho mais fácil nem sempre é aquele que devemos
seguir, porque pode não nos levar a lado nenhum. E se há coisa que
sempre nos disseste é que a frase: “não consigo” não pode
existir no nosso dia-a-dia, podemos não conseguir fazer algo hoje e
amanhã voltar a tentar e conseguimos realmente faze-lo.
A nossa rede pode ter rebentado, nós podemos
ter corrido em vão, tu podes ter realmente ido, mas tudo que nos
disseste e ensinaste ficou connosco, assim como tu mesmo não estando
presente ficarás no nosso mundo.
Por tudo isto um enorme obrigado.
És insubstituível, para nós serás sempre o
melhor.
ilusão
Às vezes é preciso que
nos magoem para vermos o quão cegos estamos a ser. Deixamos que nos
iludam, que nos mintam, que nos enganem, fazemos autêntica figura de
parvos e julgamos que na realidade toda a gente nos quer bem. Mas a
verdade é que se riem connosco, riem de nós e fazem com que
choremos por eles.
E todo o mundo goza da
nossa infelicidade e sorri contentíssimo pela nossa enorme ilusão.
Caímos no mesmo erro
uma, duas, três, as vezes que forem precisas. Tentamos ser fortes,
tentamos não dar a parte fraca, mas a verdade é que não
conseguimos, não podemos, nem devemos responder na mesma moeda,
somos superiores. Tentamos ignorar, mas há sempre algo que nos dá a
volta á cabeça, existe sempre algo que nos faz lutar e voltar a
lutar.
Tentamos ser como eles e
acabamos sempre por ser nós mesmos, para consolo dos outros e para a
nossa infelicidade.
E continuamos com a nossa
vida, juntamente com a deles e não reparamos que a felicidade desses
mesmo é a nossa chamada desgraça.
evolution
Bem, nem sei como isto começou, aliás nem sei
bem porquê nem como nos aproximamos tanto, nem como nos começamos a
dar tão bem.
Mas a verdade é que o tempo passou e o que não
passavam de simples palavras, passaram agora a ser as grandes
palavras; o que não passava de uma simples mensagem, passou agora a
ser a mensagem; o que não passava de uma chamada, passou agora a ser
a chamada; o que não passava de um “olá”, passou agora a ser um
dia inteiro de conversa; o que não passava de um miúdo, passou
agora a ser o miúdo; o que não passava de um sorriso, passou agora
a ser aquele sorriso; o que não passava de alegria, passou agora a
ser a felicidade; e a pessoa simples que eras na minha vida, passou
agora a ser a pessoa na minha vida; o que eram apenas segundos
contigo, passaram agora a ser horas, porque estar contigo é uma
necessidade, e eu preciso de ti.
Passava dias da minha vida sem nada para fazer,
sem nada para dizer, sem nada para contar, sem vontade de falar,
caminhar, quase sem vontade de viver por não saber bem a razão do
porquê de pertencer a este mundo. Dava por mim a pensar durante
horas sobre a minha existência neste planeta, sobre a razão do
viver, sobre a existência dos seres vivos, sobre a razão da
tristeza, sobre a razão da felicidade, e sempre questionei o porquê
da existência dos antónimos, dos contrários, dos opostos, das
diferenças. E a verdade é que nunca encontrei uma explicação para
todas estas dúvidas porque a realidade é que não existe uma
explicação exacta para os problemas e coisas da vida, porque a vida
é uma incógnita, nunca sabemos o que vai acontecer.
E eu um dia, acordei mais uma vez sem nada para
fazer, sem nada para dizer, sem nada para contar, sem saber que nesse
dia ia aparecer alguém que me ia fazer ver as coisas de outra forma,
alguém que me ia fazer ver o porquê da existência de pessoas
diferentes, dos opostos, das diferenças entre tudo e todos. Essa
pessoa apareceu e fez-me acreditar que há sempre uma palavra para
alguém, uma acção que precisa de ser feita, um episódio da vida
para contar, um caminho a seguir. E quando eu julguei não saber o
meu caminho, essa pessoa guiou-me, levou-me por um caminho
desconhecido e conseguiu torná-lo só nosso. Um caminho onde as
diferenças eram a razão do interesse de cada um, um caminho onde o
oposto era o que se procurava, onde as palavras não eram precisas,
um caminho onde não ficava sozinha, um caminho contrário ao caminho
percorrido pela minha vida até hoje, um caminho de opções e
escolhas conjuntas, um caminho impossível de percorrer sozinha, um
caminho que percorremos os dois sem desistir de nada, um caminho onde
juntos fomos mais fortes, o nosso caminho, o caminho que nos tornou
naquilo que hoje somos, que nos fez acreditar que juntos tudo seria
possível, até mesmo as coisas que designamos por impossíveis. E
foi nesse caminho, contigo, que percebi que a vida só faz sentido se
existirem pessoas opostas, diferentes, capazes de nos ajudar, captar
o nosso interesse. Porque quando essas pessoas não existem a vida é
só a rotina, é monótona, é aborrecida, é sempre uma repetição
do dia anterior. Só quando as diferenças, os opostos aparecem, é
que a vida faz sentido. Foste o meu oposto e a minha vida passou de
um dia perdido a um dia vivido. Não quero perder-me no nosso
caminho, não quero deixar de o percorrer contigo, não quero seguir
uma direcção diferente, não quero que o faças sozinho, preciso
que o acabes comigo, porque sempre que tiver de optar, sempre que
tiver de escolher, escolho não te deixar, se tiver de optar entre ir
e ficar eu opto, mas se for vens comigo e se ficar fico por ti.
Comecei o caminho ao teu lado e é longo. Se o caminho tiver
obstáculos vou passa-los contigo, se te apetecer chorar dar-te-ei
razões para sorrir, se te apetecer ir faço-te ficar; e se fores
mesmo, faço-te voltar.
Amo-te !
vontades ?
Nem sempre as coisas e as pessoas são como nós
desejávamos que fossem. E então o que é que fazemos? Começamos a
ver apenas as coisas que queremos e como queremos e passamos a moldar
as pessoas á nossa maneira de ser e tentamos muitas das vezes
impedir que estas sejam elas mesmas no seu próprio dia-a-dia.
Somos burros e não percebemos que há coisas
que não resultam, pessoas que não são perfeitas, e começamos a
iludir o nosso eu. E deixamos que as coisas aconteçam, simplesmente
paramos no tempo a tentar arranjar uma explicação lógica para a
sucessão de certos acontecimentos e para a existência de certas
pessoas, mas chegamos a um ponto em que as questões que colocamos
são mil e uma e as respostas são zero, não aparecem, não há uma
explicação.
E a vida que antes levávamos parece deixar de
fazer sentido. Deixamos de dar valor ao que tem de acontecer e
passamos a andar á procura do acontecimento. Não deixamos que as
pessoas apareçam, passamos a procurar por elas, e o que temos
tendência a procurar é alguém como nós, alguém que se pareça
connosco, alguém que nos pareça único e diferente. Depois deixamos
que qualquer pessoa nos leve, basta apenas um pouco mais de cuidado e
carinho connosco que julgamos ter a pessoa mais perfeita do mundo, ou
até mesmo do universo.
O que acontece é que nos esquecemos que para
muitos o mundo até pode ser considerado pequeno, mas não falta
gente nele. E existem muitos tipos de pessoas, desde as melhores às
piores, desde os falsos aos verdadeiros, desde os tristes aos
felizes, desde os únicos aos comuns, desde os humildes aos
convencidos, desde os ricos aos pobres, desde os grandes aos
pequenos, desde os negros aos brancos, desde os inteligentes aos
ignorantes, desde os preocupados aos despreocupados, desde os
sorridentes aos chorões, desde as que nos alegram aos que nos fazem
chorar, desde a nossa pessoa a outra pessoa, desde aquilo que somos
àquilo que um dia quisemos ser, desde aquilo que éramos àquilo que
um dia nos transformamos. Mas sempre foi mais fácil culpar os outros
por mudanças que surgem em vez de pararmos e pensarmos de um modo
geral, e então, um dia acordamos e julgamos a nossa pessoa,
descobrimos todos os erros cometidos, mas … e as possíveis
correcções? Onde andam? Simplesmente não andam, porque enquanto
estivemos parados no tempo, a encontrar defeitos nos outros, o tempo
não parou connosco, continuou e aqueles que sempre lá estiveram
foram levados por ele, acordamos demasiado tarde para perceber fosse
o que fosse. E perdemos uma vida, perdemos muita gente, perdemos
muita coisa. Tudo porque decidimos parar no tempo a pensar que somos
perfeitos e tudo o resto é que é e está errado e esquecemo-nos que
as coisas, os momentos e as pessoas não são perfeitos, mas que
somos nós que as fazemos parecer, somos nós que construímos algo
perfeito e o que parece que toda a gente se esquece, é que nada é
perfeito se estivermos sozinhos no mundo.
Sozinhos no mundo só vamos rir se formos
malucos, só vamos chorar se nos magoarmos sozinhos, vamos cair no
abismo por não termos ninguém para nos segurar, não vamos crescer
pois não há erros para cometer e mesmo que os erros existissem não
ia haver ninguém para os corrigir, os dias não fariam sentido
porque não haveria nada para viver, os dias seriam monótonos.
Sozinhos no mundo não somos nada, estamos vivos e a vida morta.
Sozinhos não vivemos, sobrevivemos.
dia de amanhã.
Cada dia é menos um dia.
E eu vivo um de cada vez, não penso no ontem, não penso no amanha,
não penso em nada.
Mas será hoje o último
dia? Ou será o de amanha? Será que poderia ter sido o de ontem?
Eu não sei, quem sabe?
Ninguém o sabe, sei que
nunca me sabe bem acordar e levantar de manha bem cedo, mas também
sei que depois fico feliz por ter oportunidade de viver mais um dia.
E vejo passar um dia,
dois dias, três dias, semanas, meses, anos e eu aqui. No mesmo
universo, no mesmo planeta, na mesma terra, no mesmo espaço, no
mesmo sitio, a pensar no mesmo, ou em nada. Dizem que a vida é
longa, mas definam-me “longa”. Quantos dias é que isso engloba?
Digam-me, preciso de fazer uma contagem dos meus dias, quantos aqui
estive, quantos vou estar, quando deixarei de estar. Digam-me para
que possa fazer previsões. Afinal, não é nisso que se baseiam os
nossos dias? Em previsões? Planos, objectivos, metas? Digam-me
quantos dias temos para que possa traçar metas e objectivos que
possa realizar com outros, para que não faça uma contagem dos dias
sozinha, afinal cada dia é menos um dia e todos damos conta que os
dias passam, só não temos noção de quantos mais poderemos ver
passar a seguir ao dia de hoje, pois o que para nós importa neste
momento é o facto de termos sobrevivido ao dia de ontem.
Eu sobrevivi ao dia de
ontem e pensei fazer isto hoje, terei oportunidade de acrescentar
algo a isto amanha? Não sei, pois ainda não sei se sobrevivi ao dia
de hoje, a única coisa que sei é que o dia de hoje, amanha, será
menos um dia.
Vivi ontem, vivo hoje,
mas viverei amanha?
teoria
Não sentir a tua falta a cada segundo é algo
que me atormenta, que me deixa insegura, que me faz ter medo, receio.
É algo que simplesmente não é normal, algo
que não era suposto e nem estava destinado a acontecer.
Mas a verdade é que o que não é suposto
acontecer, acontece e está a acontecer neste preciso momento.
Já não sinto aquela vontade enorme de estar
contigo nem que seja por apenas dois minutos, não sinto aquela
vontade de estar perto de ti, aquela vontade de falar contigo, não
acho que as coisas estejam como antes, como no inicio, como deviam
estar.
E isso faz-me pensar se o que temos vale
realmente a pena e a conclusão a que chego é sempre a mesma, se me
afastar de ti, vou sentir a tua falta. Mas é mesmo isso que me faz
pensar, porque se eu te tenho mas não estou contigo como é que não
sinto a tua falta? Não estás presente. A tua presença, neste
momento, é algo que para mim me é completamente indiferente, tanto
faz ter-te comigo ou não, vai tudo dar ao mesmo.
Não custa viver, custa saber viver. E eu estou
a viver sem ti e estou feliz na mesma, como se nada houvesse,
sinto-me bem comigo, com os outros, com o espaço que tenho, com todo
o tempo destinado a mim (egoísmo) e é assim, sozinha, que me vejo a
viver sem confusões, sem discussões, sem dar satisfações, sem ter
de fazer uma gestão do tempo, do meu tempo, do nosso tempo.
Sempre meu, sempre teu, sempre nosso, não
existe. O meu é só meu, o teu apenas teu e o nosso, esse passa
completamente ao lado, porque é impossível algo ser nosso visto que
o “nós” também não existe a não ser em teoria.
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