Bem, nem sei como isto começou, aliás nem sei
bem porquê nem como nos aproximamos tanto, nem como nos começamos a
dar tão bem.
Mas a verdade é que o tempo passou e o que não
passavam de simples palavras, passaram agora a ser as grandes
palavras; o que não passava de uma simples mensagem, passou agora a
ser a mensagem; o que não passava de uma chamada, passou agora a ser
a chamada; o que não passava de um “olá”, passou agora a ser um
dia inteiro de conversa; o que não passava de um miúdo, passou
agora a ser o miúdo; o que não passava de um sorriso, passou agora
a ser aquele sorriso; o que não passava de alegria, passou agora a
ser a felicidade; e a pessoa simples que eras na minha vida, passou
agora a ser a pessoa na minha vida; o que eram apenas segundos
contigo, passaram agora a ser horas, porque estar contigo é uma
necessidade, e eu preciso de ti.
Passava dias da minha vida sem nada para fazer,
sem nada para dizer, sem nada para contar, sem vontade de falar,
caminhar, quase sem vontade de viver por não saber bem a razão do
porquê de pertencer a este mundo. Dava por mim a pensar durante
horas sobre a minha existência neste planeta, sobre a razão do
viver, sobre a existência dos seres vivos, sobre a razão da
tristeza, sobre a razão da felicidade, e sempre questionei o porquê
da existência dos antónimos, dos contrários, dos opostos, das
diferenças. E a verdade é que nunca encontrei uma explicação para
todas estas dúvidas porque a realidade é que não existe uma
explicação exacta para os problemas e coisas da vida, porque a vida
é uma incógnita, nunca sabemos o que vai acontecer.
E eu um dia, acordei mais uma vez sem nada para
fazer, sem nada para dizer, sem nada para contar, sem saber que nesse
dia ia aparecer alguém que me ia fazer ver as coisas de outra forma,
alguém que me ia fazer ver o porquê da existência de pessoas
diferentes, dos opostos, das diferenças entre tudo e todos. Essa
pessoa apareceu e fez-me acreditar que há sempre uma palavra para
alguém, uma acção que precisa de ser feita, um episódio da vida
para contar, um caminho a seguir. E quando eu julguei não saber o
meu caminho, essa pessoa guiou-me, levou-me por um caminho
desconhecido e conseguiu torná-lo só nosso. Um caminho onde as
diferenças eram a razão do interesse de cada um, um caminho onde o
oposto era o que se procurava, onde as palavras não eram precisas,
um caminho onde não ficava sozinha, um caminho contrário ao caminho
percorrido pela minha vida até hoje, um caminho de opções e
escolhas conjuntas, um caminho impossível de percorrer sozinha, um
caminho que percorremos os dois sem desistir de nada, um caminho onde
juntos fomos mais fortes, o nosso caminho, o caminho que nos tornou
naquilo que hoje somos, que nos fez acreditar que juntos tudo seria
possível, até mesmo as coisas que designamos por impossíveis. E
foi nesse caminho, contigo, que percebi que a vida só faz sentido se
existirem pessoas opostas, diferentes, capazes de nos ajudar, captar
o nosso interesse. Porque quando essas pessoas não existem a vida é
só a rotina, é monótona, é aborrecida, é sempre uma repetição
do dia anterior. Só quando as diferenças, os opostos aparecem, é
que a vida faz sentido. Foste o meu oposto e a minha vida passou de
um dia perdido a um dia vivido. Não quero perder-me no nosso
caminho, não quero deixar de o percorrer contigo, não quero seguir
uma direcção diferente, não quero que o faças sozinho, preciso
que o acabes comigo, porque sempre que tiver de optar, sempre que
tiver de escolher, escolho não te deixar, se tiver de optar entre ir
e ficar eu opto, mas se for vens comigo e se ficar fico por ti.
Comecei o caminho ao teu lado e é longo. Se o caminho tiver
obstáculos vou passa-los contigo, se te apetecer chorar dar-te-ei
razões para sorrir, se te apetecer ir faço-te ficar; e se fores
mesmo, faço-te voltar.
Amo-te !
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