Recebemos a tua mensagem e o mundo parecia
estar a ruir-se.
Foi como se tudo fosse desabar, cada casa, cada
árvore, como se tudo fosse cair em cima de nós, como se o vento
tivesse soprado com todas as forças e tudo se tivesse de separar,
incluindo nós porque a força do vento era tal que não tínhamos
forças para lutar contra ele.
E o vento passou por nós e levou tudo, levou
os sorrisos, as lágrimas, a alegria, a tristeza, e pior de tudo,
levou o nosso abrigo, uma das nossas maiores forças, levou-te a ti.
Todas juntas criamos uma rede á tua volta para
que não pudesses sair, mas não a fizemos com a corda certa e a rede
rebentou.
Corremos atrás de ti para te poder agarrar,
para te segurar, para não te deixar ir, mas não corremos o
suficiente, não chegamos a tempo.
Temos de te deixar ir, temos de te libertar,
temos de agarrar a força que nos deste para podermos passar por
isto, sem irmos ao chão, sem que o mundo nos derrube completamente.
Por momentos pensamos: “e se pudéssemos
mudar a tua forma de pensar? Como seria?”, e acabamos por perceber
que aí o conceito de vida não iria ser o mesmo, podíamos fazer com
que continuasses connosco, mas nunca íamos aprender a interpretar
como tu dizes: “os verdadeiros problemas da vida”.
Sentimos uma tristeza enorme, não vais para
outro mundo e já sentimos a tua falta, não nos vais abandonar e
parece que nunca mais nos vamos encontrar, vais sair do clube e
parece que nos estão a arrancar um pedaço de vida muito vivido e
cheio de fortes emoções, vais sair e é como se tudo deixasse de
fazer sentido.
Foste tu que nos fizeste chegar onde chegamos,
foste tu que nos fizeste ver que não há impossíveis, foste tu que
nos guias-te quando parecia não existir um caminho, foste tu que nos
fizeste acreditar, foste tu quem esteve sempre connosco, pois só tu
que estavas bem dentro da equipa percebias as nossas lágrimas, as
nossas inseguranças, o nosso medo tremendo de errar, a nossa
vontade, a nossa garra, os nossos sorrisos, as nossas revoltas, a
nossa dor, os nossos problemas, só tu sabias como lidar com cada uma
de nós.
E graças ao que fizeste por nós até aos dias
de hoje percebemos que para chegarmos onde queremos (no andebol e em
tudo na vida), o que é realmente preciso é vontade, confiança,
trabalho e dedicação.
Ensinaste-nos que o importante não é ganhar,
não é perder, mas procurar evoluir, ensinaste que desistir não é
o caminho e que não deve ser sequer uma opção, porque nós podemos
tentar, tentar, tentar e falhar, mas depois quando o conseguirmos
ninguém vai querer saber das vezes que falhamos. Porque nos
mostraste que o caminho mais fácil nem sempre é aquele que devemos
seguir, porque pode não nos levar a lado nenhum. E se há coisa que
sempre nos disseste é que a frase: “não consigo” não pode
existir no nosso dia-a-dia, podemos não conseguir fazer algo hoje e
amanhã voltar a tentar e conseguimos realmente faze-lo.
A nossa rede pode ter rebentado, nós podemos
ter corrido em vão, tu podes ter realmente ido, mas tudo que nos
disseste e ensinaste ficou connosco, assim como tu mesmo não estando
presente ficarás no nosso mundo.
Por tudo isto um enorme obrigado.
És insubstituível, para nós serás sempre o
melhor.
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