Cada dia é menos um dia.
E eu vivo um de cada vez, não penso no ontem, não penso no amanha,
não penso em nada.
Mas será hoje o último
dia? Ou será o de amanha? Será que poderia ter sido o de ontem?
Eu não sei, quem sabe?
Ninguém o sabe, sei que
nunca me sabe bem acordar e levantar de manha bem cedo, mas também
sei que depois fico feliz por ter oportunidade de viver mais um dia.
E vejo passar um dia,
dois dias, três dias, semanas, meses, anos e eu aqui. No mesmo
universo, no mesmo planeta, na mesma terra, no mesmo espaço, no
mesmo sitio, a pensar no mesmo, ou em nada. Dizem que a vida é
longa, mas definam-me “longa”. Quantos dias é que isso engloba?
Digam-me, preciso de fazer uma contagem dos meus dias, quantos aqui
estive, quantos vou estar, quando deixarei de estar. Digam-me para
que possa fazer previsões. Afinal, não é nisso que se baseiam os
nossos dias? Em previsões? Planos, objectivos, metas? Digam-me
quantos dias temos para que possa traçar metas e objectivos que
possa realizar com outros, para que não faça uma contagem dos dias
sozinha, afinal cada dia é menos um dia e todos damos conta que os
dias passam, só não temos noção de quantos mais poderemos ver
passar a seguir ao dia de hoje, pois o que para nós importa neste
momento é o facto de termos sobrevivido ao dia de ontem.
Eu sobrevivi ao dia de
ontem e pensei fazer isto hoje, terei oportunidade de acrescentar
algo a isto amanha? Não sei, pois ainda não sei se sobrevivi ao dia
de hoje, a única coisa que sei é que o dia de hoje, amanha, será
menos um dia.
Vivi ontem, vivo hoje,
mas viverei amanha?
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