Não sentir a tua falta a cada segundo é algo
que me atormenta, que me deixa insegura, que me faz ter medo, receio.
É algo que simplesmente não é normal, algo
que não era suposto e nem estava destinado a acontecer.
Mas a verdade é que o que não é suposto
acontecer, acontece e está a acontecer neste preciso momento.
Já não sinto aquela vontade enorme de estar
contigo nem que seja por apenas dois minutos, não sinto aquela
vontade de estar perto de ti, aquela vontade de falar contigo, não
acho que as coisas estejam como antes, como no inicio, como deviam
estar.
E isso faz-me pensar se o que temos vale
realmente a pena e a conclusão a que chego é sempre a mesma, se me
afastar de ti, vou sentir a tua falta. Mas é mesmo isso que me faz
pensar, porque se eu te tenho mas não estou contigo como é que não
sinto a tua falta? Não estás presente. A tua presença, neste
momento, é algo que para mim me é completamente indiferente, tanto
faz ter-te comigo ou não, vai tudo dar ao mesmo.
Não custa viver, custa saber viver. E eu estou
a viver sem ti e estou feliz na mesma, como se nada houvesse,
sinto-me bem comigo, com os outros, com o espaço que tenho, com todo
o tempo destinado a mim (egoísmo) e é assim, sozinha, que me vejo a
viver sem confusões, sem discussões, sem dar satisfações, sem ter
de fazer uma gestão do tempo, do meu tempo, do nosso tempo.
Sempre meu, sempre teu, sempre nosso, não
existe. O meu é só meu, o teu apenas teu e o nosso, esse passa
completamente ao lado, porque é impossível algo ser nosso visto que
o “nós” também não existe a não ser em teoria.
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