Nem sempre as coisas e as pessoas são como nós
desejávamos que fossem. E então o que é que fazemos? Começamos a
ver apenas as coisas que queremos e como queremos e passamos a moldar
as pessoas á nossa maneira de ser e tentamos muitas das vezes
impedir que estas sejam elas mesmas no seu próprio dia-a-dia.
Somos burros e não percebemos que há coisas
que não resultam, pessoas que não são perfeitas, e começamos a
iludir o nosso eu. E deixamos que as coisas aconteçam, simplesmente
paramos no tempo a tentar arranjar uma explicação lógica para a
sucessão de certos acontecimentos e para a existência de certas
pessoas, mas chegamos a um ponto em que as questões que colocamos
são mil e uma e as respostas são zero, não aparecem, não há uma
explicação.
E a vida que antes levávamos parece deixar de
fazer sentido. Deixamos de dar valor ao que tem de acontecer e
passamos a andar á procura do acontecimento. Não deixamos que as
pessoas apareçam, passamos a procurar por elas, e o que temos
tendência a procurar é alguém como nós, alguém que se pareça
connosco, alguém que nos pareça único e diferente. Depois deixamos
que qualquer pessoa nos leve, basta apenas um pouco mais de cuidado e
carinho connosco que julgamos ter a pessoa mais perfeita do mundo, ou
até mesmo do universo.
O que acontece é que nos esquecemos que para
muitos o mundo até pode ser considerado pequeno, mas não falta
gente nele. E existem muitos tipos de pessoas, desde as melhores às
piores, desde os falsos aos verdadeiros, desde os tristes aos
felizes, desde os únicos aos comuns, desde os humildes aos
convencidos, desde os ricos aos pobres, desde os grandes aos
pequenos, desde os negros aos brancos, desde os inteligentes aos
ignorantes, desde os preocupados aos despreocupados, desde os
sorridentes aos chorões, desde as que nos alegram aos que nos fazem
chorar, desde a nossa pessoa a outra pessoa, desde aquilo que somos
àquilo que um dia quisemos ser, desde aquilo que éramos àquilo que
um dia nos transformamos. Mas sempre foi mais fácil culpar os outros
por mudanças que surgem em vez de pararmos e pensarmos de um modo
geral, e então, um dia acordamos e julgamos a nossa pessoa,
descobrimos todos os erros cometidos, mas … e as possíveis
correcções? Onde andam? Simplesmente não andam, porque enquanto
estivemos parados no tempo, a encontrar defeitos nos outros, o tempo
não parou connosco, continuou e aqueles que sempre lá estiveram
foram levados por ele, acordamos demasiado tarde para perceber fosse
o que fosse. E perdemos uma vida, perdemos muita gente, perdemos
muita coisa. Tudo porque decidimos parar no tempo a pensar que somos
perfeitos e tudo o resto é que é e está errado e esquecemo-nos que
as coisas, os momentos e as pessoas não são perfeitos, mas que
somos nós que as fazemos parecer, somos nós que construímos algo
perfeito e o que parece que toda a gente se esquece, é que nada é
perfeito se estivermos sozinhos no mundo.
Sozinhos no mundo só vamos rir se formos
malucos, só vamos chorar se nos magoarmos sozinhos, vamos cair no
abismo por não termos ninguém para nos segurar, não vamos crescer
pois não há erros para cometer e mesmo que os erros existissem não
ia haver ninguém para os corrigir, os dias não fariam sentido
porque não haveria nada para viver, os dias seriam monótonos.
Sozinhos no mundo não somos nada, estamos vivos e a vida morta.
Sozinhos não vivemos, sobrevivemos.
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